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Aventura na mata

Aventura na mata

Era um professor inglês que trabalhava no IF da Marinha e gostava muito de sair à noite. Depois das aulas passava largas horas à conversa com alunos adultos a beber cerveja num qualquer café que fechasse tarde. Uma noite, estava um grupo já bastante alegre à volta de uma mesa, quando um aluno convidou o professor inglês para uma pequena aventura:
– Queres dar uma volta pela mata?
– Agora, a estas horas? E fazer o quê?
– Sei lá, fazer piões nos cruzamentos, ver coelhos a atravessar a estrada, acelerar…
Eram quase duas horas da manhã, o professor inglês não estava muito convencido, mas o aluno tanto o chateou que ele acabou por entrar no carro. Na mata, o aluno começou a puxar pelo carro, que já não era novo e por isso fazia uma barulheira incrível. Com o inglês pregado ao banco, meteu o carro por estradas secundárias. Quem conhece a mata de S. Pedro sabe que é fácil uma pessoa perder-se, pois quase não existe sinalização.
De repente o carro parou. Como o carro consumia muito, tinha-se acabado a gasolina. Noite escura, algures no meio da mata, só havia uma coisa a fazer: um deles ficava no carro, a guardá-lo, enquanto o outro tinha de ir a pé buscar gasolina à Marinha Grande. Como o português queria guardar o carro, foi pragmático:
– Tu vais ao café, o pessoal ainda lá está, pedes a um deles para ir contigo às bombas e vêm aqui ter comigo, OK?
O professor nem respondeu, com ar muito aborrecido. Antes de começar a andar perguntou:
– E como é que vamos encontrar o carro aqui? Vais deixar as luzes acesas?
– Nem pensar, porque ia ficar sem bateria em minutos.
Ao virar as costas, o infeliz inglês deve ter pensado que chegar à Marinha não era problema, o difícil seria encontrar o local do carro naquele emaranhado de estradas.
E teve uma ideia (provavelmente inspirado na história dos irmão Grimm): foi pendurando peças de roupa nos pinheiros junto aos cruzamentos onde, no regresso, se deveria cortar. Primeiro pendurou um casaco, depois uma camisola, uma t-shirt, etc. No final teve mesmo de pendurar os sapatos e as meias. Chegou ao café de tronco nu e descalço.
Contou a história, todos se riram mas ajudaram-no. Passado algum tempo, e graças ao caminho marcado com a roupa, chegaram ao local do carro, com um garrafão de gasolina.
Foram todos para o café, a rirem-se da figura que o inglês tinha feito. Mas felicitaram-no, pois todos concordaram que aquela decisão estranha de pendurar as roupas nos pinheiras podia ter sido estranha, mas tinha funcionado. Ainda hoje se fala nessa aventura na mata de S. Pedro…

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